Brasileiros são aliciados por falsas vagas e acabam vítimas de tráfico humano no exterior

Dois brasileiros, naturais de São Paulo e do Mato Grosso, de 41 e 44 anos, foram vítimas de tráfico humano no Camboja após aceitarem falsas ofertas de emprego. Segundo familiares e informações confirmadas pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), os homens foram levados a um complexo controlado por criminosos e obrigados a trabalhar em esquemas de golpes virtuais sob ameaça e violência.

De acordo com relatos, uma das vítimas viajou inicialmente em novembro do ano passado para trabalhar no interior paulista. Meses depois, o contato com a família se tornou raro até que o homem revelou estar no país asiático, onde teve o passaporte apreendido ao desembarcar.

O brasileiro afirmou ter sido mantido em um centro de fraudes, submetido a jornadas de até 16 horas diárias e punido com agressões físicas e choques elétricos. Para deixar o local, os criminosos exigiriam o pagamento de US$ 800 (cerca de R$ 4,2 mil) para devolução do documento. O caso foi denunciado ao Itamaraty e à Polícia Federal.

O ministério informou acompanhar a situação por meio da embaixada brasileira em Phnom Penh e destacou que aplicou o Protocolo Operativo Padrão para o Atendimento de Vítimas Brasileiras do Tráfico Internacional de Pessoas. Autoridades locais também foram acionadas.

Segundo a organização The Exodus Road Brasil, que acompanha o caso, os brasileiros já foram localizados e aguardam repatriação. A entidade alerta que propostas legítimas de trabalho no exterior envolvem contratos formais, visto adequado e comunicação por canais oficiais.

Casos semelhantes têm aumentado nos últimos anos. O Itamaraty aponta o Sudeste Asiático como um dos principais destinos de brasileiros aliciados por falsas vagas, especialmente em áreas ligadas à tecnologia e telemarketing. As vítimas acabam em centros conhecidos como “fábricas de golpes”, associados ao tráfico humano e ao trabalho forçado.

Fonte: OGLOBO

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