O médico ortopedista Adilson Cleto Bier, de Toledo, no oeste do Paraná, foi condenado a seis anos de reclusão por corrupção passiva após cobrar valores de pacientes para antecipar cirurgias ortopédicas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de 27 dias-multa — equivalentes a 27 salários mínimos da época dos fatos, com correção — e a perda da função pública vinculada às demandas do SUS. O médico pode recorrer em liberdade.
A defesa, representada pelo advogado Sérgio Canan, afirmou que considera a sentença injusta e que irá recorrer.
De acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), o crime ocorreu sete vezes entre 2014 e 2015. As cobranças eram feitas no consultório particular do médico, onde ele prometia antecipar cirurgias de pacientes que aguardavam na fila do SUS.
Em 2015, Bier foi preso em flagrante após receber R$ 4,6 mil de uma paciente. Segundo o MP, a vítima foi orientada a entregar o valor em um envelope no consultório, ação que foi monitorada. O dinheiro foi apreendido no local, e objetos também foram recolhidos para investigação. Ele foi solto no decorrer do processo e respondeu às acusações em liberdade.
Em agosto de 2025, o médico já havia sido condenado por improbidade administrativa na esfera cível. A decisão determinou a devolução de R$ 53.786,82 cobrados indevidamente, além do pagamento de multa civil de R$ 107.573,64, totalizando mais de R$ 160 mil.
Na esfera cível, Bier também foi afastado da função pública, teve o credenciamento no SUS cancelado, os direitos políticos suspensos por oito anos e ficou proibido de contratar com o poder público por seis anos.
Em outro processo anterior, ele também foi condenado por corrupção passiva.
Fonte: G1