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Saúde

Saúde

Prescrição de remédios por farmacêuticos gera debate sobre segurança do paciente

por Redação 31 de março de 2025

A nova resolução do Conselho Federal de Farmácia, que autoriza farmacêuticos a prescreverem medicamentos e solicitarem exames, tem gerado controvérsias.

Antônio José Gonçalves, presidente da Associação Paulista de Medicina, defende que a prescrição médica exige um conhecimento aprofundado e múltiplas etapas para garantir a segurança do paciente.

Ele reconhece a importância dos farmacêuticos na orientação sobre medicamentos, mas ressalta que sua atuação deve respeitar os limites da formação profissional.

Fonte: r7

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Saúde

HIV: os avanços da PrEP, o tratamento capaz de evitar a infecção (e como está a ideia de usar em grande escala no Brasil)

por Redação 28 de março de 2025

Os novos antivirais de ação de longo prazo contra HIV estão levando cientistas a repensarem as políticas públicas de prevenção contra a doença. Seria possível essas drogas, capazes de prevenir infecção por vários meses, assumirem o papel que idealmente deveria ser desempenhado por vacinas?

Essa questão vem ganhando relevância gradualmente desde que os medicamentos de profilaxia pré-exposição (PrEP) começaram a tomar espaço nas estratégias contra o vírus da Aids. Ela consiste basicamente em usar medicamentos para impedir uma infecção, não apenas tratá-la depois que ela ocorre.

A ideia de usar PrEP em grande escala, porém, ganhou seu maior impulso a partir do mês passado. Em 11 de março, cientistas divulgaram resultados um ensaio clínico inicial (de fase 1) mostrando que um desses medicamentos, o lenacapavir, é provavelmente capaz de barrar contágio pelo vírus por um ano inteiro após uma única dose.

A PrEP já está amplamente disseminada hoje na fórmula de pílulas diárias, em diversos países, direcionada principalmente a populações mais vulneráveis, e tem se mostrado eficaz, quando seguida à risca.

O Brasil é um dos lugares que tem ampliado o uso dessa estratégia, tendo mais do que dobrado o alcance da terapia nos últimos 3 anos. Segundo o Ministério da Saúde, o país atingiu em 2025 a marca 119 mil usuários de PrEP oral, tendo subido de apenas 50 mil em 2022.

O SUS oferece hoje uma formulação da terapia com a combinação dos medicamentos tenofovir e entricitabina, que devem ser tomados diariamente, ou “sob demanda”, quando o usuário acredita que vai se expor a risco de infecção. Uma outra forma de PrEP, a dapirivina, é administrada para mulheres na forma de anéis para aplicação na vagina, mas não foi aprovada no país.

Segundo especialistas, porém, apesar de serem em tese mais fáceis de administrar do que os novos medicamentos injetáveis, a necessidade de se tomar pílulas orais todo dia prejudica muito a adesão. Essa formulação exige de dedicação do usuário e o expõe um estigma, porque o uso de PrEP está associado, equivocadamente, à promiscuidade em certos grupos.

O que epidemiologistas se perguntam agora é: será que os antivirais de longa duração podem contornar esses tipos de problema?

Essas drogas não são, tecnicamente, vacinas, pois não são capazes de preparar o sistema imune para se defender do vírus. Contudo, se seu efeito prolongado conseguir mesmo atingir o período de um ano, eles podem ter um uso prático similar ao de vacinas em grandes campanhas.

Como as vacinas contra algumas outras doenças, como a gripe, precisam de dose anual de reforço, o uso mais amplo de PrEP começa a entrar no debate de saúde pública.

— Em mais de 40 anos de pesquisa sobre HIV, nós nunca tínhamos obtido um resultado tão eficaz para promover proteção na população como esse e, portanto, é o mais próximo que já chegamos do efeito que teria uma vacina — afirma o sanitarista Alexandre Granjeiro, professor da Universidade São Paulo e ex-diretor do Programa Nacional de Aids do Brasil. — É uma oportunidade ímpar, do ponto de vista do controle da incidência de HIV.

Granjeiro está coordenando hoje um estudo demonstrativo em uma população de 550 adolescentes gays sobre a eficácia de uma droga de PrEP injetável, o cabotegravir, que já está aprovada para uso no Brasil. Esse outro medicamento existe hoje na forma de aplicação a cada dois meses.

— Nós estamos chegando já quase a um ano do projeto, e até o momento nós não observamos nenhum caso de infecção. Ou seja, o resultado com o cabotegravir, injetável, é bem melhor e mais significativo do que o que nós tínhamos com a PrEP oral — diz o cientista.

Num estudo internacional encerrado no ano passado, o lenacapavir obteve 100% de eficácia numa população de mulheres na África, e autoridades já começaram a fazer as contas de quanto custaria adotar o medicamento em larga escala. A Gilead já está em conversas com a OMS e órgãos de alguns países.

— O lenacapavir administrado uma vez por ano, se aprovado, pode se tornar uma nova e importante opção de prevenção ao HIV, ajudando a lidar com os desafios de adesão e persistência à PrEP para indivíduos que precisam ou desejam a PrEP em todo o mundo — afirmou Jared Baeten — vice-presidente da Gilead, em mensagem nesta semana à Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI).

O preço de saída da dose do lenacapavir, produzido pela multinacional Gilead, de US$ 42 mil, é uma barreira ainda a adoção em larga escala do medicamento. O valor é impraticável para qualquer sistema de saúde pública do mundo, mas a empresa até negocia um acordo para liberação de produção como medicamento genérico em países de baixa renda. O Brasil, porém, classificado como de média renda, está fora da lista das 120 nações que devem ser contempladas.

A GSK, que detém a patente do cabotegravir, afirma que está em contato com o governo brasileiro negociando um possível acordo. Sem um contrato especial de acesso, o preço de saída da terapia com o medicamento é de US$ 22 mil ao ano.

No ano passado, na Conferência Internacional da Aids, em Munique, um grupo de ativistas que incluía a ONG Médicos Sem Fronteira invadiu o estande da Gilead exigindo um acordo de acesso mais abrangente. Gritos de ordem pedindo quebra de patentes, que não são tão comuns quanto eram na década de 1990, estavam no repertório da manifestação.

O próprio UNAIDS, o Programa das Nações Unidas para HIV/Aids, já afirmou que é preciso encontrar uma maneira de fazer a PrEP injetável se tornar acessível para populações vulneráveis em país de renda média e média/alta.

— Garantir o acesso global equitativo a novas tecnologias pode ajudar o mundo a se colocar no caminho para acabar com a Aids como ameaça à saúde pública até 2030 — afirmou Winnie Byanyima, chefe do UNAIDS, em discurso no ano passado.

Com 43 mil novas infecções de HIV sendo registradas anualmente, o Brasil está longe de ter a epidemia sob controle, e pode se beneficiar dos medicamentos inovadores também. Não há estudo pronto de custo benefício da droga para o país ainda, mas já é possível ter uma noção, por alto, de quanto o remédio deveria (ou poderia) custar para o setor público.

Uma pesquisa de custo realizada para a África do Sul, um país com população e renda per capita na mesma ordem de grandeza do Brasil, mostra que para o governo oferecer o medicamento a até 4% da população (e prevenir até 18% das novas infecções), o preço por dose do lenacapavir não poderia ultrapassar US$ 106. No Quênia, o custo unitário teria que ser derrubado a US$ 16 para se tornar viável.

O cálculo para chegar a esses números leva em conta a economia que pode ser feita com a terapia antirretroviral não profilática (pós-infecção) que é preciso oferecer a quem se torna soropositivo para HIV. Por isso, o limite do custo-benefício é mais flexível em países com muita prevalência do vírus.

“Mostramos que o lenacapavir poderia reduzir substancialmente a incidência de HIV, e que o impacto orçamentário e o limiar de preços varia bastante de acordo com o lugar e a taxa de cobertura”, escreveu o epidemiologista Linxuan Wu, da Universidade de Washington, com seus coautores, no estudo na revista Lancet HIV.

Granjeiro, da USP, diz que, numa estimativa ainda superficial, uma campanha de PrEP injetável para controlar a epidemia no Brasil teria que abranger, idealmente, 60% da população considerada em maior risco de infecção. Esse número é mais ou menos igual ao de pessoas já infectadas pelo HIV que estão em terapia antirretroviral, e significaria dobrar o programa de Aids do país, com os custos associados.

Para distribuir medicamentos nessa escala, o governo provavelmente teria que fechar um acordo com a Gilead para produzir a droga dentro do país, o que tem se tornado padrão nesses tipos de contrato. O sanitarista, que critica a demora do Brasil em aderir a novas tecnologias de PrEP, diz que vale a pena começar a sentar para fazer as contas e abrir negociações.

— O que está em jogo, efetivamente, é ter ou não ter o HIV como problema de saúde pública. Isso tem uma significância muito grande — diz o sanitarista.

O GLOBO procurou a divisão brasileira da Gilead, mas a companhia não quis se manifestar ainda sobre negociações de ampliação do acesso. “A empresa tem previsto o envio de um comunicado oficial sobre o tema para meados de abril”, afirmou em mensagem.

O Ministério da Saúde diz que está atento às novas opções de PrEP, mas precisa aguardar a regulação das drogas antes de considerar seu uso.

“O lenacapavir injetável e os anéis vaginais de dapirivina ainda não possuem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), requisito essencial para sua incorporação ao SUS”, afirmou em nota. “O Ministério da Saúde, por meio da Fiocruz, acompanha a realização do estudo ImPrEP CAB Brasil, que avalia o uso do cabotegravir injetável para profilaxia pré-exposição (PrEP).”

Fonte: OGLOBO

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Saúde

Homem com paralisia fica em pé sozinho novamente após implante com células-tronco

por Redação 25 de março de 2025

Homem que sofria de paralisia consegue agora ficar em pé sozinho, e já treina seus primeiros passos após a implantação de células-tronco. O paciente faz parte de um estudo de uma universidade em Tóquio, no Japão, que declarou o sucesso da terapia com transplante de células-tronco.

➡️ O estudo está sendo feito pela Universidade Keio, em Tóquio. Eles começaram a pesquisa em 2019, com o objetivo de implantar células-tronco reprogramadas. Elas são criadas revertendo células adultas para um estado semelhante ao embrionário e, a partir disso, podem ser induzidas a se desenvolver em outros tipos celulares.

Em 2022, os pesquisadores começaram a implantar as células em pacientes com lesões graves, que tinham sofrido dano permanente. Atualmente não há tratamento para esses casos, por isso a descoberta traz esperança há milhares de pacientes.

➡️ Ao longo do estudo, quatro pessoas receberam o implante. No processo, células de um doador foram usadas para criar células precursoras neurais, das quais dois milhões foram injetadas diretamente no local da lesão de cada paciente, com a expectativa de que se desenvolvessem em neurônios e células gliais — que formam o tecido nervoso juntamente com os neurônios

A primeira cirurgia do teste foi realizada em dezembro de 2021; as outras três foram conduzidas entre 2022 e 2023. Os detalhes sobre a identidade dos pacientes não foram informados, mas a universidade declarou que todos os quatro receptores eram homens adultos, sendo que dois tinham 60 anos ou mais.

O resultado que os pesquisadores encontraram foi:

Dois pacientes tiveram melhora no quadro da lesão. Um deles consegue ficar em pé sozinho e já treina seus primeiros passos. O segundo já consegue movimentar braços e pernas, algo que antes não era possível.
Os outros dois pacientes que receberam as células-tronco não apresentaram sinais de melhora.
➡️ Os médicos reforçam que, além dos resultados obtidos, ao longo de um ano de acompanhamento nenhum dos pacientes apresentou efeitos adversos. Ou seja, não há sinais de risco associados à terapia, ainda que em alguns casos ela não tenha demonstrado o resultado esperado.

Fonte: G1

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Saúde

‘Em SP é fácil ter recaída’, diz ex-usuário: desafios do tratamento e possíveis sinais da dependência química de metanfetamina

por Redação 21 de março de 2025

Os primeiros sinais da dependência química por metanfetamina podem ser perceptíveis por quem faz parte do convívio desta pessoa. Isso inclui a sensação de estar sendo seguido ou observado, o cansaço depois de passar noites em claro, a perda de peso devido à falta de apetite e as marcas de agulha nos braços.

Na rede pública, em São Paulo, o Instituto Perdizes do Hospital das Clínicas tem sido uma das referências no tratamento e na pesquisa sobre a prática do “chemsex” – o “sexo químico”, que é quando há uso de substâncias psicoativas durante as relações.

De acordo com Maria Amália Pedrosa, médica psiquiatra referência técnica do Ambulatório de Álcool e Drogas do Instituto Perdizes, os protocolos muitas vezes são voltados para as medicações, que são fundamentais para lidar com a abstinência e os transtornos causados pela droga, mas a abordagem deve ser multidisciplinar.

Isso inclui atendimento psiquiátrico individualizado, avaliando caso a caso; terapias individuais e em grupo; e acompanhamento de infectologistas, já que muitos usuários praticam a aplicação injetável da metanfetamina, chamada “slam”, a qual cria uma exposição a infecções sexualmente transmissíveis.

Mas, independentemente de estar ou não em atendimento ambulatorial, há casos em que é necessária a internação do usuário de metanfetamina, como por exemplo quando não há uma rede de apoio no entorno, como a família, e existe dificuldade para manter a abstinência.

Pacientes com sintomas psicóticos causados pela droga, como a sensação de perseguição, precisam ser acompanhados de perto. Quando estão com o juízo crítico prejudicado e com a percepção alterada da realidade, podem se expor a riscos mais graves, como lesões neles próprios ou em outras pessoas. Nesse caso, devem ser socorridos por serviços de emergência como o Samu e encaminhados pra hospitais.

Desafios do tratamento da dependência por metanfetamina
O perfil de quem procura tratamento no Instituto Perdizes é composto em sua maioria por homens que fazem sexo com homens.

Relatos ouvidos pelo g1 apontam que uma das principais formas de disseminação do chemsex tem sido através de encontros marcados por aplicativos LGBTQIAP+.

Há anos este é um problema de saúde pública nos Estados Unidos e na Europa, e a partir da pandemia começou a crescer também em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

O fato de a metanfetamina estar atrelada à prática sexual é um desafio no tratamento.

Segundo o infectologista Rico Vasconcelos, as pessoas começam a consumir de forma eventual, mas logo aumentam a frequência e a intensidade, ampliando a exposição aos riscos.

E a coisa rapidamente escala porque a metanfetamina é uma substância que causa bastante vício. “A pessoa começa a não achar mais sentido não só no sexo, mas também na vida, se não estiver usando a substância.”

Efeitos da metanfetamina podem ser irreversíveis
Produzida sinteticamente em laboratórios clandestinos, a metanfetamina está entre as drogas mais perigosas do mundo devido ao alto poder de adicção. Isso ocorre porque há uma superprodução de dopamina, que é responsável pela sensação de prazer no cérebro.

Entretanto, os danos dessa “euforia” repentina e artificial podem ser irreversíveis.

O consumo da droga pode levar à depressão, ansiedade e comprometimento cognitivo. Quando o uso é constante, pode haver danos graves à saúde, como problemas renais, insuficiência no fígado e até infarto.

Além disso, existe o agravante das alucinações e das crises persecutórias, sintomas típicos da esquizofrenia – condição que pode ser pré-existente (e se acentuar) ou surgir a partir do uso de entorpecentes. O excesso artificial de dopamina no cérebro provoca a distorção da realidade.

Há ainda outro problema igualmente preocupante: no chemsex, o uso da camisinha é desestimulado, o que só eleva a chance de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

Rico Vasconcelos ressalta que a falta de conhecimento e de preparo para lidar com seringas faz as pessoas injetarem a droga de forma incorreta, nelas mesmas e nos outros. E levanta ainda outro problema: o compartilhamento de agulhas.

“Quem está sob efeito de substâncias não percebe o que acontece no entorno: se aquela seringa já foi usada ou não, se ela é estéril ou não, se aquela embalagem de onde ela foi tirada estava lacrada ou não”, alerta o infectologista.

Facilidade de acesso à droga dificulta tratamento
P. faz tratamento da dependência química de metanfetamina e por isso terá sua identidade preservada. Nascido no interior paulista, mudou-se para a capital durante a pandemia, em 2020. Ele diz que em diversas ocasiões já havia recusado o uso de entorpecentes, como cocaína.

A partir da primeira experiência, P. começou a aceitar outros convites para encontros com a prática do chemsex. Segundo o relato, a situação fugiu de controle quando ele começou a fazer “slam”, que é a aplicação injetável da droga.

”Com o slam eu comecei a ter muitas paranoias, achando que os caras estavam me filmando ou que tinham hackeado meu celular. A partir disso decidi aprender a injetar crystal em mim mesmo, para usar sozinho em casa”, conta ele, que não teve nenhuma orientação e por isso tem marcas e cicatrizes no braço por erros na aplicação.

Após quase dois anos de uso de metanfetamina, cujas doses aumentavam cada dia mais, P. decidiu buscar ajuda médica e reconheceu a necessidade de tratamento com psiquiatra e psicoterapeuta.

A morte de dois conhecidos por overdose foi determinante para a decisão de P. Além disso, ele também estava sob o risco de ser demitido devido às faltas injustificadas.

“Comecei a tomar medicação e no início passei vários dias dormindo. O sono era interminável, o desgaste que eu sentia parecia não ter fim. Mas logo nos primeiros dias de abstinência parei de ouvir vozes e de achar que havia um complô contra mim”, afirma.

Para P., a abstinência de metanfetamina veio junto com a abstinência sexual, já que este poderia ser um gatilho. Após quase dois meses sem encontros, ele reinstalou um aplicativo para marcar algo casual.

Frustrado com a experiência do sexo sem uso da substância, teve uma recaída logo após o encontro. Todos os prejuízos, como as alucinações e as noites sem dormir, voltaram à tona.

“Naquele momento eu não tinha mais contato de ninguém. Mas eu morava no Centro de São Paulo e lá existem vários perfis com emojis oferecendo tina. Eu acabei comprando de um garoto de programa desconhecido e a partir disso passei mais de três meses fazendo slam diariamente”, conta o usuário.

P. só conseguiu parar ao sair do emprego e voltar para a casa dos pais, no interior paulista, onde a metanfetamina não é comercializada: “Precisei me mudar porque em São Paulo é fácil ter recaída”.

Grupos de apoio on-line ajudam dependentes de metanfetamina
Uma forma de tratamento que tem sido bastante buscada é uma rede de apoio similar à dos Narcóticos Anônimos, mas voltada para a metanfetamina e as suas particularidades: o “Crystal Meth Anonymous” (CMA). A iniciativa começou no exterior e a adesão tem crescido no Brasil, em reuniões on-line.

“Fiquei sabendo do grupo de brasileiros há mais ou menos um ano. No início, ele tinha duas, três pessoas e, agora, está crescendo. É muito bom porque é um lugar de acolhimento”, afirma o ator e professor Fábio T., um dos brasileiros do grupo.

Ele teve contato com a metanfetamina nos anos 2000, morando nos Estados Unidos, e atualmente comemora estar há mais de 19 anos limpo.

“Quem procura o CMA é quem já tentou de tudo e nada deu certo. O que nos une é a natureza da nossa derrota, do nosso fracasso. Há uma identificação. Os relatos são de vivências parecidas”, diz.

O programa segue a filosofia dos “12 passos”, que surgiu com os Alcoólicos Anônimos.

Fonte: G1

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Saúde

Conselho permite que farmacêuticos prescrevam medicamentos; entidades médicas apontam ilegalidade

por Redação 20 de março de 2025

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) publicou uma resolução que autoriza farmacêuticos a prescrever medicamentos, incluindo aqueles que exigem receita médica. A nova norma foi divulgada no Diário Oficial de segunda-feira (17).

A medida gerou reação de associações médicas, que questionam a capacitação dos farmacêuticos para a função. Elas afirmam que o tema será alvo de processos judiciais. Os médicos alegam que a formação do farmacêutico não tem as disciplinas que existem no curso de medicina, como o exame clínico e a interpretação dos exames.

Entre outros pontos, a resolução número 5 do CFF de 20/02/2025 permite que o farmacêutico:

prescreva medicamentos (incluindo os de venda sob prescrição)
renove “prescrições previamente emitidas por outros profissionais de saúde legalmente habilitados”
A nova resolução do CFF foi publicada poucos meses após uma decisão da 17ª Vara Federal Civil da Justiça no Distrito Federal contra outra resolução do CFF sobre o mesmo tema. A Justiça do DF declarou ilegal a resolução 586/2013 que permitia que farmacêuticos receitassem medicamentos e outros produtos que não exigiam prescrição médica.

O g1 buscou posicionamento do Conselho Federal de Farmácia (CFF) sobre as críticas de entidades médicas, mas não obteve retorno até a mais recente atualização desta reportagem.

Reação das entidades médicas
O conselheiro do Conselho Federal de Medicina Francisco Eduardo Cardoso afirmou ao g1 que a resolução é “absolutamente ilegal”.

“Deveriam ter vergonha de publicar uma resolução como essa. Eles vão ter que responder na Justiça por editarem uma resolução ilegal e que coloca em risco a saúde da população”, diz Cardoso.

Na visão do representante dos médicos, o CFF não pode legislar sobre prescrição, diagnósticos e consulta médica.

“O farmacêutico não tem competência legal e técnica para isso. É um ato de prevaricação. Eles já tentaram isso no passado e a Justiça negou. E isso será levado novamente à Justiça. O argumento de que eles entendem de remédios é insuficiente. São competências complementares”, afirma Cardoso.

A Associação Paulista de Medicina (APM) fala em “silenciosa invasão de profissionais não habilitados no ato médico” e manifesta preocupação com medida do CFF.

Em nota, a APM afirma que a prescrição de medicamentos é fundamental para a segurança e eficácia dos tratamentos, pois envolve a orientação detalhada de um médico sobre quais medicamentos um paciente deve tomar, em que dose, com que frequência e por quanto tempo.

A APM destaca que o médico cursa a faculdade por seis anos e depois ainda faz de três a seis anos de residência para se formar e poder estabelecer o diagnóstico e a terapêutica com segurança.

“Esta segurança vem com a história clínica inicial seguida de um minucioso exame físico. Mesmo assim, muitas vezes é necessário a solicitação de exames complementares para que a prescrição possa ser feita após um diagnóstico adequado. O farmacêutico não tem esta formação e, portanto, não tem a competência exigida para prescrever qualquer medicamento. Pode sim e deve indicar substituto para determinada droga, alertar sobre eventuais efeitos colaterais e interações medicamentosas”, informa nota a associação, em nota.

“A prescrição médica é o final da consulta médica. Portanto, há necessidade de você fazer uma história clínica do paciente. Há necessidade de você fazer um exame físico completo. E muitas vezes, mesmo com isto tudo, você chega em suposições. Você não chega no diagnóstico. Você precisa de exames complementares para chegar no diagnóstico. E a partir do diagnóstico que você vai fazer a prescrição. Eu acho que todos os profissionais de saúde são importantes, mas cada um tem que estar dentro da sua área de atuação”, afirma o presidente da APM, Antônio José Gonçalves.

O que diz a resolução do Conselho Federal de Farmácia
O artigo 3° da resolução número 5 do CFF de 20/02/2025 informa: Para estabelecer o perfil farmacoterapêutico do paciente, o farmacêutico está autorizado a:

prescrever medicamentos, incluindo os de venda sob prescrição;
renovar prescrições previamente emitidas por outros profissionais de saúde legalmente habilitados;
prescrever medicamentos em atendimento à pessoa sob risco de morte iminente.
Os medicamentos categorizados sob prescrição somente poderão ser prescritos pelo farmacêutico que possua Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em Farmácia Clínica.
O artigo 4º da resolução informa ainda que “no âmbito da atividade clínica do farmacêutico” a análise da situação do paciente vai permitir que o profissional:

Colete dados por meio da anamnese farmacêutica
Faça exame físico com a verificação dos sinais e sintomas
Realize, solicite e interprete exames para avaliação da efetividade do tratamento

Fonte: G1

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Saúde

Mais de 40 alunos vão parar no hospital após usarem agulha compartilhada em aula no ES

por Redação 18 de março de 2025

Quarenta e três alunos de uma escola estadual de Laranja da Terra, na Região Serrana do Espírito Santo, precisaram receber atendimento médico após uma atividade prática em sala de aula, em que uma mesma agulha foi utilizada em todos os estudantes para coleta de sangue. O caso aconteceu na última sexta-feira (14).

Os alunos pertencem a turmas de 2ª e 3ª séries do Ensino Médio e têm idades entre 16 e 17 anos. O professor de Química responsável pela aula foi demitido e o caso foi encaminhado para a corregedoria da Secretaria de Estado da Educação (Sedu).

O nome da escola não será divulgado para preservar a identidade dos alunos.

Segundo relatos dos pais, os estudantes contaram que estavam participando de uma aula de Práticas Experimentais em Ciências, quando foi realizada uma atividade para demonstrar como descobrir o tipo sanguíneo de cada um.

Depois disso, os adolescentes relataram passaram a ser discriminados na escola pela possibilidade de terem sido infectados.

Diante disso, os estudantes levaram o caso aos pais que, por sua vez, ficaram apreensivos com possíveis consequências para a saúde dos filhos e procuram a escola e a polícia.

A Secretaria Municipal de Saúde de Laranja da Terra foi acionada e, diante da demanda, o médico plantonista do hospital e a Vigilância Epidemiológica do município para iniciar o protocolo de testagem.

Os alunos e o professor passaram por testes de diagnóstico para doenças infecciosas. Até a publicação desta reportagem, todos os resultados deram negativo.

Nesta segunda-feira (17), foi realizada uma reunião com pais e estudantes da escola, com a presença de representantes da Secretaria Municipal de Saúde, para maiores esclarecimentos sobre o caso.

A Sedu informou que, por protocolo, os alunos serão acompanhados pela secretaria e que vão repetir os testes em 30 dias.

O que dizem as autoridades
A Sedu disse que os alunos estão bem, frequentando as aulas normalmente e que o professor foi demitido e o caso encaminhado para a corregedoria.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que assim que foi acionada, fez contato com a Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo, que orientou sobre os protocolos e medidas a serem adotadas na ocasião.

A Secretaria Municipal de Saúde disse que todos os atendidos estavam em boas condições de saúde, sem apresentar sintomas incomuns ou agravantes e que segue acompanhando o caso de perto prestando apoio aos alunos e familiares.

Já a Polícia Civil informou que o caso seguirá sob investigação da Delegacia de Polícia de Laranja da Terra. Detalhes da investigação não serão divulgados, no momento.

Fonte: G1

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SUS

Entre a fila do SUS e a vida: ferramenta exclusiva revela que espera para consultas pode levar dois anos; veja como pesquisar

por Redação 17 de março de 2025

Um ferramenta exclusiva desenvolvida pelo GLOBO com base em dados do Ministério da Saúde revela que o tempo na fila no Sistema Único de Saúde (SUS) bateu recorde em 2024 — a espera para ser atendido por um médico pode levar até dois anos enquanto a de uma cirurgia chega 634 dias.

O buscador inédito mostra que o tempo médio da fila do SUS, considerando consultas de todas as especialidades, alcançou um patamar histórico em 2024, com uma média de 57 dias de espera. No caso das cirurgias, o prazo médio foi de 52 dias, mas há casos que superaram esse período.

Uma consulta com um especialista em genética no SUS em Mato Grosso, por exemplo, levou, em média, dois anos em 2024. Já o tempo de espera para uma cirurgia reparadora em Rondônia foi de um ano e nove meses.

Esses dados não são divulgados nem atualizados com frequência pelo Ministério da Saúde. Ao todo, 13 das 27 secretarias estaduais não preenchem ou preenchem de forma parcial informações sobre os pacientes que estão nas filas de atendimento. Além disso, 10 capitais, incluindo São Paulo e Belo Horizonte, têm sistemas próprios, que não estão integrados ao federal. Essa radiografia só foi possível ser feita pela reportagem do GLOBO por meio da Lei de Acesso a Informações (LAI).

O Ministério da Saúde, que tem como prioridade a redução no tempo de espera de consultas, exames e cirurgias no SUS, admite a falta de controle e tem buscado organizar e padronizar as informações. Após questionamento da reportagem, a pasta publicou uma portaria em 10 de março que prevê a criação de um novo sistema, o E-SUS Regulação, para substituir o atual.

A portaria também torna obrigatório o envio de informações sobre fila de espera ao ministério de maneira periódica. Pela norma, todas as solicitações deverão ser enviadas para a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), plataforma utilizada pela pasta que permite a integração de dados de saúde. Secretarias estaduais e municipais poderão optar por enviar essas informações via E-SUS.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que tem adotado iniciativas que já ajudaram a reduzir filas e, no ano passado, “registrou recorde histórico” de cirurgias eletivas. “Foram mais de 14 milhões de procedimentos realizados, um crescimento de 37% em relação a 2022”, diz a nota.

A pasta também informou que a decisão de se criar o novo sistema ocorreu “diante das falhas apresentadas pelo Sisreg”. “O envio de dados periodicamente por parte dos gestores locais será obrigatório, independente do sistema utilizado pelos estados e municípios. Em até 30 dias, o plano operacional será definido conjuntamente pelos três entes”, diz.

Impacto real
“Se tivesse feito a cirurgia no tempo certo, não teria sido mutilada”, lamenta a cabeleireira Lígia Miranda, de 54 anos, que precisou retirar uma das mamas após ter um tumor diagnosticado em junho de 2022. Foram dois anos e dois meses — e uma sucessão de filas — no Sistema Único de Saúde (SUS) até que ela conseguisse realizar o procedimento, em um hospital de Brasília. A longa espera pelo tratamento na capital do país reflete um dos principais gargalos na rede pública.

A fila para a cirurgia, porém, é apenas uma das que Lígia tem enfrentado no seu tratamento contra o câncer de mama no SUS. Ela precisou voltar para a espera após a retirada do tumor para receber os medicamentos que destroem as células doentes. Desde dezembro, aguarda para iniciar a radioterapia.

— Fiquei muito tempo na fila esperando. Depois que eu fiz a cirurgia, eu precisaria fazer a quimioterapia em até três meses para matar o câncer de vez, mas eu fui chamada só sete meses depois. Aí o médico disse que, como havia passado muito tempo, seria melhor fazer radioterapia — disse Lígia.

A aposentada Vera Lúcia Gentil, de 61 anos, moradora do Riacho Fundo, na região administrativa de Brasília, também vive um drama na fila do SUS. Ela descobriu um tumor no cérebro em abril do ano passado após uma enfermeira levantar a suspeita durante uma consulta de rotina em uma unidade de saúde da família. A indicação era que ela realizasse uma tomografia, exame que no ano passado o tempo médio de espera foi de 34 dias. Aflita, a aposentada decidiu não aguardar e pagou do próprio bolso em um laboratório particular.

Com os resultados em mãos, Vera buscou o SUS novamente para se consultar com um neurologista, que por sua vez encaminhou o caso para um neurocirurgião. Foram sete meses neste processo até que ela fosse finalmente atendida e, só então, entrasse em outra fila, desta vez para a retirada do tumor, em novembro.

— Falaram que tinha caso mais grave que o meu, que tinha pacientes na fila que já estavam cegos. A sensação é péssima. A gente fica angustiada, porque primeiro foi o susto descobrir o tumor. Tem uma coisa dentro da minha cabeça e eu sinto dores diárias. Não durmo bem, não como bem, não vivo bem. A sensação que a gente tem é que não estão nem aí para a gente. É angustiante — contou Vera.

Os dados mostram que, em casos de cirurgia oncológica, o tempo médio de espera de um paciente pode chegar a 188 dias, ou seja, mais de seis meses. O prazo descumpre o estabelecido em uma lei federal aprovada em 2012, que dá 60 dias para que pacientes diagnosticados com câncer tenham o tratamento iniciado. A legislação prevê penalidades administrativas a gestores responsáveis pela demora.

Fonte: FANTÁSTICO

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Saúde

Tabagismo: largar o cigarro apenas com força de vontade é exceção; conheça os métodos eficazes

por Redação 11 de março de 2025

Uma meta de Ano Novo que costuma entrar na lista de boa parte dos cerca de 10% dos brasileiros adultos que ainda fumam é abandonar o cigarro. Os motivos não faltam, já que o tabagismo eleva o risco de uma gama de doenças que vão desde diferentes tipos de câncer até problemas cardíacos, diabetes, disfunções reprodutivas e muitas outras. Mas apenas querer é suficiente para sair da dependência?

Especialistas e estudos apontam que o feito é até possível, porém improvável. Quando comparado ao uso de intervenções farmacológicas e comportamentais, as chances de a pessoa conseguir largar o cigarro aumentam consideravelmente. É o que explica a coordenadora da Comissão Científica de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Maria Enedina Scuarcialupi:

— Não é fácil largar sozinho, costuma ser a exceção. A grande maioria das pessoas precisa de ajuda, como terapia cognitiva comportamental, medicamentos e reposição de nicotina para superar a síndrome de abstinência. Cerca de 5% param sozinhos, e por volta de 50% nos programas de cessação.

Os estudos que acompanham pessoas que querem parar de fumar mostram de fato essa realidade. Um dos mais recentes, conduzido por pesquisadores da University College of London, no Reino Unido, e publicado em janeiro na revista científica JAMA Network Open, analisou dados de 25 mil fumantes britânicos. Como resultado, aqueles que tentaram parar de fumar sem ajuda tiveram cerca de um terço a menos de chances de sucesso do que aqueles que usaram alguma forma de apoio.

Já uma revisão de 319 ensaios clínicos feita por pesquisadores das Universidades de Oxford e Leicester, com 157,2 mil voluntários, concluiu que a cada 100 pessoas que tentam parar de fumar sem auxílio, apenas 6 conseguem. Essa proporção dobra para aqueles com métodos de reposição de nicotina (12 a cada 100) e chega a 14 a cada 100 com o uso de medicamentos, segundo a publicação na Cochrane em 2023.

— A partir do momento que se começa a usar o cigarro, os receptores de nicotina crescem em proporção geométrica. Nós nascemos com esses receptores, porque a nicotina é um neurotransmissor que usamos para outras coisas na vida, mas quando você fuma, a nicotina entra no cérebro em apenas nove segundos, e esses receptores aumentam muito. Se você tinha 1, por exemplo, vira 4. E aí vai se criando o quadro de dependência. E quando você para, entra num quadro de abstinência muito grave. Por isso parar sem ajuda é muito difícil, você precisa dessensibilizar esse mecanismo aos poucos — explica Elnara Negri, pneumologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

O que funciona para largar o cigarro?
Em julho do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a 1ª diretriz de tratamento clínico voltada para pessoas que querem deixar de fumar. O documento reúne as intervenções consideradas eficazes para a cessação do tabagismo.

A organização estima que 60% dos 1,25 bilhão de consumidores de tabaco pelo mundo (750 milhões) desejam largar o hábito e destaca que as recomendações são válidas tanto para o cigarro convencional, como para os eletrônicos, o artesanal, narguilés, charutos, entre outros.

Segundo a nova diretriz, combinar remédios com intervenções comportamentais é a forma mais eficaz de cessar o tabagismo. Entre as alternativas farmacológicas, há a Terapia de Reposição de Nicotina (TRN), como adesivos, pastilhas e gomas de nicotina, e os remédios bupropiona, vareniclina e citisina.

Já a intervenção comportamental se caracteriza por estratégias como aconselhamento médico, terapia comportamental cognitiva (TCC) e grupos de apoio. Qualquer estratégia, especialmente a medicamentosa, deve ser recomendada e supervisionada por um profissional.

— A abordagem de terapia é a inicial e funciona para entender de onde vem a dependência, auxiliar a parar de fumar e a manter a abstinência. É uma intervenção muito eficaz e dá um suporte significativo principalmente no momento da abstinência. Mas, para algumas pessoas que têm uma dependência elevada, é indicado também o uso de medicamentos — conta Mariana Pinho, coordenadora do projeto Tabaco da ACT Promoção da Saúde.

O Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PCNT), oferece de forma gratuita acesso às terapias de reposição, à bupropiona e a terapia cognitivo comportamental.

Sobre os remédios, Elnara explica que a bupropiona “diminui a vontade de fumar por meio de mecanismos no cérebro que promovem bem-estar e fazem o paciente sentir menos os efeitos da falta de nicotina”.

Já a vareniclina e a citisina, os outros remédios indicados pela OMS, mas indisponíveis no SUS, têm uma ação diferente: se ligam diretamente aos receptores de nicotina no cérebro. A vareniclina é uma alternativa mais antiga, mas que hoje não tem fácil acesso no Brasil nas farmácias, o que é considerado um problema.

— Infelizmente estamos passando por um momento de dificuldade não só no Brasil, mas em outros países. Estamos sem por problemas químicos, contaminação por metal pesado na sua fabricação, segundo a empresa responsável. Mas aqui também não temos o genérico, a que outros países já têm acesso — diz a coordenadora da SBPT.

A citisina tem sido testada apenas mais recentemente para auxiliar a cessação do tabagismo, mas os estudos já indicam um efeito positivo, tornando o fármaco a 1ª nova opção em cerca de duas décadas para ajudar a largar o cigarro.

Em um dos trabalhos, publicado no periódico JAMA, 32,6% (um terço) dos participantes que receberam o medicamento continuavam em abstinência três meses após interromperem o fumo, percentual que foi de apenas 7% no grupo placebo. O remédio, porém, ainda não foi aprovado com essa finalidade no Brasil.

Em relação aos medicamentos no SUS, em 2019 a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) avaliou a inclusão da vareniclina, mas recomendou que o fármaco não fosse ofertado na rede pública pelo alto custo.

Porém, em 2023, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) publicou uma carta aberta em que defendeu oferecer o remédio no SUS citando a existência da vareniclina genérica, que tem custo reduzido, e chamando já a atenção para a “ótima eficácia e tolerabilidade” observada com a citisina, ainda que pendente de aprovação.

Maria Enedina, da SBPT, diz que a entidade vai “buscar entender o processo para que a citisina, já utilizada em outros países, inclusive na forma genérica, seja aprovada para uso no Brasil”.

Hoje, 9,3% dos brasileiros com mais de 18 anos são fumantes, segundo a edição de 2023 do levantamento Vigitel, do Ministério da Saúde. Há 35 anos, em 1989, esse percentual era de 34,8% da população adulta, de acordo com a Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN) da época.

Cigarros eletrônicos não são alternativa
Um método que seria eficaz para reduzir o fumo convencional adotado por países como Reino Unido e Suécia é o uso de modelos eletrônicos que, embora sejam nocivos, causariam menos danos do que os tradicionais. No entanto, a estratégia não é recomendada nem pela OMS, nem pelas especialistas brasileiras.

— Muitas evidências mostram que uma parcela grande volta a fumar os convencionais e passa a fazer o uso dos dois. Então é uma falsa premissa que os cigarros eletrônicos ajudam a parar de fumar, você não se livra da dependência de nicotina. Fora os problemas que o cigarro eletrônico continua a causar — diz Elnara.

Além disso, Mariana, da ACT, afirma que tem se observado uma dependência maior de nicotina com os cigarros eletrônicos do que a com os modelos convencionais, o que tem levado a uma nova geração de fumantes.

— As pessoas que consomem cigarros eletrônicos estão tendo muito mais dificuldade na hora de parar de fumar. Suspeitamos que seja porque a nicotina nos dispositivos eletrônicos tenha uma absorção muito mais rápida pelo organismo, e estabeleça a dependência química de forma mais significativa. Isso deixa a pessoa dependente mais rápido e com uma intensidade muito forte.

Fonte: OGLOBO

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BrasilSaúde

Jovens relatam uso frequente de remédios para disfunção erétil em bares de SP: ‘Todo mundo já toma’

por Redação 20 de fevereiro de 2025

O Profissão Repórter desta terça-feira (18) abordou o uso crescente de medicamentos para disfunção erétil. Em bares de São Paulo, a reportagem conheceu jovens na faixa dos 20 anos que saem de casa com os comprimidos de medicamentos para disfunção erétil na carteira

Médicos alertam para os riscos do uso indiscriminado desses medicamentos.

Aumento da venda de remédio para disfunção erétil

Disponíveis nas farmácias sem a necessidade de apresentação de receita, os medicamentos que contêm a substância tadalafila estão entre os mais vendidos do país. Foram mais de 43 milhões de unidades comercializadas em 2023.

À reportagem, um frequentador de academia revelou que utiliza o medicamento para melhorar desempenho tanto sexual quanto físico.

Prescrição médica para exercícios?
A reportagem conversou com médicos que prescrevem tadalafila para a prática de exercícios.

O Conselho Regional de Medicina, no entanto, alerta para os riscos do uso indiscriminado desses medicamentos.

Fonte: G1

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Saúde

‘Tive um AVC aos 20 anos enquanto fazia esteira, tentando emagrecer a qualquer custo’

por Redação 18 de fevereiro de 2025

A criadora de conteúdo Nicole Peixoto Freire, de 29 anos, sofreu um acidente vascular cerebral aos 20. Ela estava na esteira da academia quando passou mal. O lado esquerdo de seu corpo paralisou e só melhorou com fisioterapia. Ainda assim, ela não tem mais o movimento da mão esquerda.

“Eu estava fissurada em emagrecer e fui para esteira correr. Só que eu não tinha preparo físico. Escolhi um treino aleatório, que era tiro super rápido a 17 km/h, sendo que eu nunca tinha corrido antes. Eu queria me ver suando. Também estava fazendo uma dieta restrita, sem muito carboidrato”, lembra.

“Ainda que isso não tenha causado meu AVC, o meu alerta é que nada que você faça por estética vai valer tão a pena que compense você perder sua saúde”, diz.

Enquanto corria na esteira do prédio em que morava, Freire olhou para trás ao pensar que viu alguém e depois sentiu uma pontada na cabeça. Ela chegou a pensar que tinham batido nela. Instintivamente, a criadora de conteúdo puxou a trava de segurança da esteira, desceu e sentou no chão. Ao ligar para o seu pai, ele notou que havia algo de errado com a filha. “Eu achava que estava morrendo”, lembra Freire.

Sua madrasta desceu com a médica do prédio, e Freire foi encaminhada para o hospital às pressas. Nesse momento, o lado esquerdo do seu corpo estava paralisado. Entre a ligação de Freire com o pai e a ida ao pronto-socorro levou cerca de 30 minutos. A rapidez em buscar atendimento especializado é fundamental para um desfecho positivo em casos de AVC.

A confirmação do AVC
Ao chegar ao pronto-socorro, a jovem foi rapidamente medicada com trombolítico, fármaco usado para disolver coágulos sanguíneos. Na sequência, fez tomografia, exame que confirmou o acidente vascular cerebral isquêmico.

Freire ficou três dias na UTI e os descreve como os piores da sua vida. “Eu gritava para os meus médicos que não ia mais andar e chorava muito por medo de morrer”, lembra. Ela sofreu também pela incerteza do que seria sua vida após o AVC e de tudo que ela teria que abrir mão pelas perdas dos movimentos do lado esquerdo do corpo.

Você entende, aos poucos, que não consegue andar ou se mexer na cama e precisa de ajuda para ir ao banheiro, colocar roupa e comer.”
— Nicole Peixoto Freire, criadora de conteúdo
Depois da UTI, ainda ficou uma semana no quarto e, então, recebeu alta do hospital. Em casa, a situação ainda estava delicada. Mas a criadora de conteúdo tinha a certeza de nunca estar sozinha.

“Eu estava torta, não conseguia andar nem comer e tomava remédios de duas em duas horas. Mas agradeço a Deus porque eu tinha amigos e familiares por perto, para me darem banho, lavarem meu cabelo, me fazerem dar risada”, reflete.

A busca do diagnóstico correto
No hospital de Curitiba (PR), onde Freire mora, o AVC foi justificado como se paciente tivesse uma doença autoimune. Insatisfeitos com a explicação médica, os pais da criadora de conteúdo a levaram para São Paulo.

Quando chegaram no novo estado, a paranaense foi internada novamente para iniciar a investigação do seu quadro. Ela passou sete dias no hospital. Embora exausta devido ao desgaste emocional de duas internações seguidas, Freire descobriu o motivo de ter tido um AVC: um quadro de dissecção arterial.

“A dissecção ocorre quando a camada mais interna da parede da artéria se rompe, permitindo que o sangue infiltre a própria parede arterial. Isso compromete sua estrutura, que deveria permanecer íntegra para garantir um fluxo sanguíneo adequado dentro da artéria”, explica o neurologista Érico Induzzi Borges, do Hospital Nove de Julho.

Já a relação entre o quadro e o AVC isquêmico se dá porque “quando o sangue ocupa espaço dentro da parede da artéria, a área destinada ao fluxo sanguíneo é reduzida. Além disso, o sangue também pode coagular no local da lesão. Se tratando de uma artéria do pescoço, chegará menos sangue para irrigar o sistema nervoso e, no segundo exemplo, o coágulo pode causar entupimento de uma artéria menor, que se localize dentro do cérebro”, como informa Borges.

Com o diagnóstico correto, Freire iniciou a reabilitação. Com três meses de fisioterapia, os movimentos começaram a voltar, mas foi preciso aprimorá-los. “Eu andava, mas muito mancando. Meu braço voltou a mexer, mas não tinha força nele. A minha mão não mexe até hoje”, explica.

A reabilitação também fez com que a criadora de conteúdo aprendesse a perder peso de forma saudável, sem se colocar em risco, para inclusive ter disposição para realizar a fisioterapia. Freire também se dedicou a cuidar da sua saúde mental no processo de recuperação.

“Hoje, sou uma pessoa totalmente independente. Posso ficar sozinha, cuido da minha casa, malho, já montei a cavalo, joguei tênis, faço box, musculação… O meu propósito de vida é mostrar para pessoas que passam pelo AVC que podemos mudar o que quisermos”, reflete.

Freire faz isso principalmente nas redes sociais, como no seu perfil @ni.freire no TikTok, em que ela divide seu dia a dia com seguidores e suas reflexões sobre a vida seguir apesar das adversidades.

Qual a relação entre dissecção arterial, AVC e atividade física?
“Exercícios de alto impacto ou movimentos bruscos de rotação ou inclinação do pescoço podem aumentar o risco de dissecção, mas a corrida por si só não é uma causa. Na presença de sintomas neurológicos, é muito importante buscar ajuda antes da prática de qualquer atividade física”, reforça Borges.

Vale lembrar que o sintoma mais frequente da dissecção arterial é a dor no pescoço, do lado da lesão da artéria. No entanto, outros sinais menos específicos podem estar associados ao quadro como visão dupla, tontura, dificuldade para falar ou engolir e fraqueza em um dos lados do corpo.

Fonte: revistamarieclaire

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