Novos depoimentos reforçam suspeitas de omissão e possível proteção envolvendo o ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, tenente-coronel José Augusto Coutinho, em investigações sobre policiais ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
As informações foram detalhadas em depoimento do promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, à Corregedoria da PM. Com mais de 20 anos de atuação em investigações sobre a facção, Gakiya relatou vazamentos de operações sigilosas, incluindo a Operação Sharks, em 2020, quando alvos importantes do PCC conseguiram fugir após suposto repasse de informações.
Segundo o promotor, havia indícios de que dados sensíveis teriam sido acessados por policiais, o que levantou suspeitas internas. Ele afirmou ainda ter comunicado diretamente Coutinho sobre possíveis irregularidades, incluindo denúncias de que agentes da Rota fariam “bicos” para empresas de ônibus ligadas ao crime organizado.
Essas suspeitas também aparecem em outros inquéritos, como o que investiga a atuação de PMs na escolta ilegal de dirigentes da empresa Transwolff, apontada pelo Ministério Público como ligada ao PCC. Um sargento preso afirmou em depoimento que Coutinho teria conhecimento da prática irregular e mencionou a presença de “bandido fazendo bico”.
De acordo com o Ministério Público Militar, mesmo diante das informações, não há registro de que medidas correcionais tenham sido adotadas, o que pode caracterizar crime de prevaricação no âmbito do Código Penal Militar.
A defesa de Coutinho afirma que não teve acesso ao conteúdo integral das investigações e ressalta que a simples citação em inquéritos não implica responsabilidade. O coronel também sustenta que atuou com legalidade ao longo de mais de 34 anos de carreira.
A Polícia Militar declarou que não comenta investigações em andamento, mas reforçou o compromisso com a apuração rigorosa de eventuais irregularidades.
O caso ocorre em meio à saída de Coutinho do comando da corporação, no último dia 15, e marca uma mudança histórica na instituição: a coronel Glauce Anselmo Cavalli assumiu o posto, tornando-se a primeira mulher a comandar a PM paulista em quase 200 anos.
Fonte: G1