Fim da patente do Ozempic abre mercado, e farmacêutica aposta em comprimido e negociação com o SUS

O fim da patente da semaglutida no Brasil, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, marca uma virada no mercado farmacêutico e abre espaço para a produção de genéricos. Mesmo diante desse novo cenário, a Novo Nordisk afirma que manterá forte presença no país, com investimentos bilionários e novos produtos em desenvolvimento, incluindo versões em comprimido para tratamento da obesidade.

Em entrevista, o diretor-geral da empresa no Brasil, Allan Finkel, destacou que a perda da patente não altera os planos estratégicos da companhia. A multinacional pretende investir R$ 6 bilhões na fábrica de Montes Claros (MG) e ampliar seu portfólio com novas soluções, como doses mais altas do Wegovy e versões orais do medicamento — já aprovadas nos Estados Unidos e em análise pela Anvisa.

Segundo o executivo, a expectativa é que a dose de 7,2 mg do Wegovy seja liberada ainda em 2026 no Brasil, enquanto a versão em comprimido deve chegar em 2027. A proposta é ampliar o acesso ao tratamento, oferecendo alternativas para diferentes perfis de pacientes, com eficácia semelhante entre as versões injetável e oral.

A empresa também desenvolve novas moléculas para obesidade, como Cagrisema e Amicretina, com o objetivo de aumentar a eficácia, reduzir efeitos colaterais e melhorar a adesão ao tratamento. Finkel reforça que a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica e sistêmica, associada a mais de 200 condições, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes e câncer.

No Brasil, mais de 65% da população apresenta sobrepeso ou obesidade, mas apenas cerca de 1% recebe tratamento medicamentoso — um cenário que, segundo a empresa, revela grande potencial de expansão. A estratégia inclui também parcerias, como a firmada com a Eurofarma, que amplia a distribuição por meio de outras marcas, como Poviztra e Extensior.

Outro ponto central é a tentativa de inclusão dos medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS). Após uma primeira negativa da Conitec, a empresa prepara uma nova submissão, com foco em públicos específicos e possível revisão de critérios. O custo foi um dos principais entraves na análise anterior, mas a farmacêutica afirma estar aberta a negociações para ampliar o acesso.

Enquanto isso, medidas alternativas vêm sendo adotadas, como programas de desconto e iniciativas para facilitar o início do tratamento. Ainda assim, o acesso segue limitado, especialmente fora da rede privada.

O cenário internacional também influencia o mercado brasileiro. Com a crescente demanda global e o avanço de novas tecnologias, a disputa por espaço no tratamento da obesidade tende a se intensificar, mesmo com o fim da exclusividade da semaglutida.

Fonte: OGLOBO

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