Inspeção da Anvisa expõe falhas na Ypê e mantém linhas de produção paradas em SP

O complexo industrial da Ypê em Amparo, no interior de São Paulo, segue parcialmente paralisado após inspeção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificar falhas consideradas graves no processo de fabricação de produtos de limpeza. Duas das oito unidades da fábrica permanecem sem operar: uma de detergentes e outra de lava-roupas líquidos e desinfetantes.

A visita do g1 à fábrica ocorreu um dia após o Fantástico divulgar detalhes do relatório da Anvisa, que apontou equipamentos com sinais de corrosão, falhas em etapas críticas de produção e risco de contaminação microbiológica em produtos da marca.

Segundo o diretor executivo de Operações da Ypê, Eduardo Beira, cerca de 400 funcionários foram deslocados para uma força-tarefa de adequação das unidades afetadas. A empresa informou que está executando 239 ações corretivas exigidas pela vigilância sanitária, relacionadas a inspeções feitas entre 2024 e 2026.

Mesmo após conseguir efeito suspensivo contra a decisão da Anvisa, a Ypê optou por manter as linhas de produção interrompidas para acelerar as correções. O caso será analisado nesta quarta-feira (13) pela Diretoria Colegiada da agência, instância máxima de decisão do órgão, em Brasília.

Em nota oficial, a empresa afirmou que mantém suspensa a produção dos produtos com lote final 1 e declarou que trabalha para concluir as medidas solicitadas “o mais breve possível”, reforçando compromisso com a segurança e a saúde dos consumidores.

O relatório da Anvisa revelou problemas estruturais importantes dentro das unidades industriais. Entre eles, tanques com sinais de corrosão, falhas de limpeza e armazenamento de restos de produtos devolvidos às linhas de envase. Segundo os fiscais, essas irregularidades comprometem as Boas Práticas de Fabricação e elevam o risco de contaminação microbiológica.

A agência também apontou que, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, foram identificados resultados fora dos padrões microbiológicos em 80 lotes de produtos acabados. Alguns testes deram positivo para a bactéria Pseudomonas aeruginosa, microrganismo que pode causar doenças e irritações.

De acordo com a inspeção, os lotes não foram reprovados pelo controle de qualidade e permaneciam armazenados aguardando “definição financeira”. A Ypê afirma que os produtos contaminados seguem isolados e não chegaram aos consumidores.

Entre os itens afetados estão detergentes lava-louças da linha Ypê, lava-roupas líquidos Tixan Ypê e desinfetantes Bak Ypê, Atol e Pinho Ypê.

A Anvisa sustenta que as irregularidades envolvem falhas em sistemas de garantia da qualidade, sanitização, controle microbiológico e validação dos processos industriais — pontos considerados essenciais para evitar riscos à saúde pública.

Fonte: G1

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