Brasil Justiça condena Airbus e Air France por tragédia do voo AF447 após 17 anos Redação21 de maio de 202606 visualizações A Justiça francesa condenou nesta quinta-feira (21) a Airbus e a Air France por homicídios culposos no caso do voo AF447, acidente aéreo que matou 228 pessoas em 2009 durante a rota entre Rio de Janeiro e Paris. A decisão acontece quase 17 anos após a maior tragédia aérea da história da França. O tribunal considerou as duas empresas como “únicas responsáveis” pelo desastre e aplicou a multa máxima prevista: 225 mil euros para cada companhia, valor equivalente a cerca de R$ 1,3 milhão. A decisão acompanha o entendimento apresentado pelo Ministério Público francês durante o julgamento, que durou oito semanas. A condenação reverte a decisão de 2023, quando um tribunal inferior havia absolvido Airbus e Air France. Na ocasião, os magistrados reconheceram “imprudências” e “negligências”, mas afirmaram não existir nexo causal suficientemente comprovado entre as falhas e o acidente. No entanto, o Ministério Público mudou seu posicionamento e, em novembro do ano passado, pediu formalmente a condenação das duas empresas por homicídios culposos. Durante o julgamento, Airbus e Air France negaram responsabilidade criminal e sustentaram que o acidente ocorreu em razão de decisões equivocadas tomadas pelos pilotos durante uma situação de emergência em voo. Familiares das vítimas acompanharam a leitura da sentença, encerrando mais um capítulo da longa disputa judicial que mobiliza parentes de passageiros e tripulantes franceses, brasileiros e alemães desde 2009. Apesar da condenação, familiares classificaram as multas como simbólicas, já que representam apenas uma fração do faturamento das empresas. Ainda assim, associações de vítimas afirmaram que a decisão representa um reconhecimento oficial das falhas apontadas durante anos. Advogados franceses avaliam que novos recursos ainda podem ser apresentados ao tribunal superior do país, prolongando o caso por mais alguns anos. O voo AF447 desapareceu dos radares em 1º de junho de 2009, transportando passageiros de 33 nacionalidades. As caixas-pretas só foram encontradas dois anos depois, no fundo do Oceano Atlântico. As investigações conduzidas pela BEA, agência francesa responsável por acidentes aéreos, concluíram em 2012 que a aeronave entrou em estol após os pilotos reagirem de forma incorreta ao congelamento das sondas Pitot, sensores responsáveis pela medição da velocidade do avião. Segundo os investigadores, o Airbus A330-200 atravessava uma região de forte instabilidade climática próxima à Linha do Equador quando as sondas congelaram, comprometendo os dados de velocidade exibidos à tripulação. A acusação apontou falhas tanto da Airbus quanto da Air France. A fabricante foi acusada de minimizar os problemas relacionados às sondas Pitot e de não alertar rapidamente as companhias aéreas sobre os riscos. Já a Air France foi responsabilizada por treinamento inadequado dos pilotos e falta de orientação clara às tripulações sobre situações semelhantes. Para o Ministério Público, as falhas das duas empresas contribuíram diretamente para a ocorrência do acidente. Fonte: G1