Brasil Mulher que vive há seis meses em aeroporto de Belém deve viajar para reencontrar filho no Panamá Redação22 de junho de 202609 visualizações Após cerca de seis meses vivendo no Aeroporto Internacional de Belém, a cidadã de Serra Leoa Fatmata Sessay, de 56 anos, deve embarcar nesta segunda-feira (22) rumo ao Panamá, onde pretende reencontrar o filho de 15 anos. A viagem foi viabilizada após a atuação do Ministério Público do Pará, que providenciou a compra da passagem aérea e acompanha a regularização da documentação necessária. Fatmata morava em São Paulo havia 18 anos e decidiu deixar a cidade no fim de 2025 para tentar encontrar o filho. Durante a viagem, ela afirma ter sido assaltada no Peru e recebido ajuda de voluntários para seguir até o Suriname, de onde embarcou para Belém. Já na capital paraense, relata ter sido novamente vítima de roubo, perdendo o passaporte e uma passagem que utilizaria para continuar o trajeto até o Panamá. Sem documentos e sem recursos financeiros, passou a viver no saguão do aeroporto. Durante esse período, contou com apoio de serviços sociais da cidade. Diariamente, frequentava o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), onde tinha acesso a alimentação e higiene. Ao saber que a passagem havia sido comprada, Fatmata se emocionou e agradeceu ao promotor responsável pela iniciativa. Segundo ela, a viagem representa a oportunidade de recomeçar a vida ao lado do filho. Além da passagem, o Ministério Público atua na obtenção dos documentos necessários para a viagem, incluindo visto e carteira internacional de vacinação. Na sexta-feira (19), a Justiça Federal no Pará determinou que órgãos federais e estaduais prestem assistência consular à imigrante em até 48 horas, articulando a regularização documental junto à representação diplomática de Serra Leoa em Washington, nos Estados Unidos. O Ministério Público Federal afirmou que Fatmata se encontra em situação de vulnerabilidade e apontou falhas institucionais no suporte prestado ao caso. Apesar de receber ofertas de acolhimento, ela optou por permanecer no aeroporto por considerar o local mais seguro. O caso mobilizou moradores de Belém, que passaram a oferecer ajuda à imigrante. Uma das pessoas chegou a disponibilizar hospedagem temporária até a conclusão dos procedimentos necessários para a viagem. A Prefeitura de Belém informou que acompanha a situação desde dezembro de 2025, prestando assistência social à mulher, que também é beneficiária do programa Bolsa Família. Com a documentação em fase final de regularização e a passagem já emitida, a expectativa é que Fatmata Sessay deixe o aeroporto nesta segunda-feira para seguir rumo ao Panamá e ao reencontro com o filho. Fonte: OGLOBO