Mulher que vive há seis meses em aeroporto de Belém deve viajar para reencontrar filho no Panamá

Após cerca de seis meses vivendo no Aeroporto Internacional de Belém, a cidadã de Serra Leoa Fatmata Sessay, de 56 anos, deve embarcar nesta segunda-feira (22) rumo ao Panamá, onde pretende reencontrar o filho de 15 anos. A viagem foi viabilizada após a atuação do Ministério Público do Pará, que providenciou a compra da passagem aérea e acompanha a regularização da documentação necessária.

Fatmata morava em São Paulo havia 18 anos e decidiu deixar a cidade no fim de 2025 para tentar encontrar o filho. Durante a viagem, ela afirma ter sido assaltada no Peru e recebido ajuda de voluntários para seguir até o Suriname, de onde embarcou para Belém.

Já na capital paraense, relata ter sido novamente vítima de roubo, perdendo o passaporte e uma passagem que utilizaria para continuar o trajeto até o Panamá. Sem documentos e sem recursos financeiros, passou a viver no saguão do aeroporto.

Durante esse período, contou com apoio de serviços sociais da cidade. Diariamente, frequentava o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), onde tinha acesso a alimentação e higiene.

Ao saber que a passagem havia sido comprada, Fatmata se emocionou e agradeceu ao promotor responsável pela iniciativa. Segundo ela, a viagem representa a oportunidade de recomeçar a vida ao lado do filho.

Além da passagem, o Ministério Público atua na obtenção dos documentos necessários para a viagem, incluindo visto e carteira internacional de vacinação.

Na sexta-feira (19), a Justiça Federal no Pará determinou que órgãos federais e estaduais prestem assistência consular à imigrante em até 48 horas, articulando a regularização documental junto à representação diplomática de Serra Leoa em Washington, nos Estados Unidos.

O Ministério Público Federal afirmou que Fatmata se encontra em situação de vulnerabilidade e apontou falhas institucionais no suporte prestado ao caso. Apesar de receber ofertas de acolhimento, ela optou por permanecer no aeroporto por considerar o local mais seguro.

O caso mobilizou moradores de Belém, que passaram a oferecer ajuda à imigrante. Uma das pessoas chegou a disponibilizar hospedagem temporária até a conclusão dos procedimentos necessários para a viagem.

A Prefeitura de Belém informou que acompanha a situação desde dezembro de 2025, prestando assistência social à mulher, que também é beneficiária do programa Bolsa Família.

Com a documentação em fase final de regularização e a passagem já emitida, a expectativa é que Fatmata Sessay deixe o aeroporto nesta segunda-feira para seguir rumo ao Panamá e ao reencontro com o filho.

Fonte: OGLOBO

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